Lideraça, Comunicação, tecnologia, desenvolvimento pessoal, João Palmeira,
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Eu posso ser um viciado em tecnologia, o meu celular tem dado uma mãozinha?


Nos últimos anos eu tenho discutido com alunos e amigos sobre a necessidade de sentir-se conectado o tempo todo. Você consegue sair sem o seu celular? Já esqueceu seu celular e voltou para pegá-lo? Já perdeu seu celular? Como se sentiu?


O que parecia ser ficção se tornou realidade, poder se comunicar com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo sem um telefone com fio, só era possível em filmes de ficção científica.


Em 1983 a Motorola apresentava o Motorola Dynatac 800X, um aparelho que mais parecia uma torre, pesava 794 gramas cuja memória durava 30 minutos e a bateria permitia apenas 1 hora de conversa, 7 anos mais tarde apresentou o Motorola PT 550 que se tornou o primeiro celular no Brasil, aquele que mais parecia um tijolo e que carregávamos na cintura com uma antena que insistia em permanecer torta, não havia tela e não pegava direito. O primeiro celular touchscreen apareceu em 1994, chamava-se IBM Simon. O primeiro aparelho com câmera foi aparecer 7 anos mais tarde em 2001. E em 2007, Steve Jobs revolucionou o mercado com seu primeiro celular Apple.


A ansiedade por ter aparelhos cada vez mais novos e diferentes cresceu a ponto de pessoas ficarem em filas intermináveis para poder ser um dos primeiros a compra-los. Os aparelhos celulares vêm mudando com o passar dos anos, a ansiedade não. Em 2008, pesquisadores relataram que 53% dos usuários de celulares sentiam ansiedade, quando não podiam usar seus aparelhos. A OMS nos classificou como o país mais ansioso do mundo. Será que você esta na lista dos 18,7 milhões de pessoas ansiosas no Brasil? Se estiver o que isso tem impactado em sua vida, nas suas relações sociais, em sua saúde e em seus sonhos e objetivos?


O uso do celular inunda nosso cérebro com dopamina, cortisol e adrenalina. Isso se traduz em um comportamento estranho e comum. Passamos a olhar nosso aparelho a todo o instante, mesmo quando não há necessidade.


Um estudo desenvolvido pelo Pew Reseach Center nos Estados Unidos, com 1058 pais e 743 adolescentes entre os 13 e 17 anos demonstrou que 36% dos pais e 54% dos filhos têm dificuldade de deixar seu celular por muito tempo. Ao acordar 72% dos filhos e 57% dos pais conferem as notificações. Algo parecido acontece com você? Você já sentiu medo de ficar sem o celular?


Você sabe o que é Nomofobia?


Nomofobia é a fobia causada pelo medo irracional, desconforto ou angustia resultante da incapacidade de acesso `a comunicação através de aparelhos celulares ou computadores. Uma pesquisa realizada pela YouGov constatou que algo perto de 47% das mulheres e 58% dos homens sofrem de nomofobia, e outros 9% se sentem estressados quando seus celulares estão desligados. A justificativa de 55% dos 2163 participantes ao sentirem ansiosos era a necessidade de manter contato com amigos e familiares.


Qual a primeira coisa que você faz ao acordar ainda deitado? Você olha o celular mesmo antes de levantar, de fazer uma oração ou escovar os dentes? Tem tido a impressão de que seu celular vibrou ou tocou enquanto ele está na bolsa ou no bolso e quando olha não aconteceu nada? Você olha o seu celular enquanto dirige ou esta em consulta no dentista de boca aberta e ele faz os procedimentos? Você dirige o carro usando seu celular? Nos Estados Unidos mais de 27% dos motoristas adultos afirmaram enviar mensagens ou ler textos enquanto dirigem. Quando questionados o número jovens adultos que dirigem com o celular na mão chegou a 34%. Acontece com você? Se a resposta for sim para alguns desses exemplos, cuidado a dependência virtual pode estar batendo a sua porta.


Dados da We Are Social de 2018, mostra que o brasileiro utiliza a internet 9 horas e 14 minutos por dia, só no celular passamos 4 horas e 21 minutos, nas redes sociais gastamos 3 horas e 30 minutos. No Linkedin ficamos em 4o. Lugar perdendo apenas para os USA, Índia e China, no Facebook estamos em 5o. lugar na língua mais falada e no Instagram somos o numero 2 em audiência, perdendo apenas para os Estados Unidos.


Durante a pandemia ficamos muito mais tempo em casa e com isso muito mais tempo no computador e no celular. Há riscos no uso abusivo do celular causar dependência? Algumas pesquisas dizem que sim!


Que comportamentos e consequências podem ser observadas quando utilizamos a tecnologia de forma desequilibrada?


  1. Má postura. A cabeça inclinada por muito tempo traz dores no pescoço, na cabeça e nos ombros.
  2. Complicações oculares. O excesso de luz azul emitida pelo celular, o tamanho das letras e o uso em ambiente de pouca luz, pode causar secura e inflamações.
  3. Aumento do nível de ansiedade. Devido ao alto grau de ansiedade e frustrações, as pessoas deixam de viver a realidade e mergulham no mundo virtual, buscando por aceitação através das curtidas e comentários, isso traz a sensação de não estarem sozinhas, aqui há risco de dependência.
  4. Perda de foco. Entre estudantes as perdas de foco atingem aproximadamente 31% dos jovens em idade entre 13 e 17 anos e 39% nos mais velhos.
  5. Isolamento. A pessoa troca suas referências digitais pelas reais. Deixa de participar de atividades em família, com amigos e se isola, se sentindo incapaz de socializar.
  6. A chance de um acidente de carro ao usar o celular é 23 vezes maior do que dirigir sem usá-lo.
  7. Insônia. A quantidade de luz emitida pelo seu celular além dos sons pouco tempo antes de se deitar, pode deixar sua mente em estado de alerta, impactando na qualidade de seu descanso.


Um estudo feito pela University College of London em 2019, buscando identificar a relação entre o uso do celular a dependência e o impacto na qualidade do sono, feita com 1043 universitários entre 18 e 30 anos durante 40 dias, mostrou que 39% estavam viciados no celular e como consequência dormindo mal.


Mesmo que você não esteja dentro da idade acima ou nem mesmo seja universitário, reflita: Quanto tempo você tem gasto no seu celular todos os dias em coisas fúteis? Quanto do seu tempo tem sido investido em algo produtivo? Você consegue ficar sem olhar seu celular por quanto tempo?


O que pode ser feito para minimizar o uso e seus efeitos?


1. Procure dar um tempo no uso. Comece indo a lugares próximos sem o celular, tais como, mercado, academia, praia, parques ou ao shopping e aumente gradativamente o tempo de afastamento ao sair.

2. Desapegue daquela rede social que costuma ver constantemente e de todas as outras. Desative as notificações, inicialmente procure olhar apenas uma ou duas vezes em cada período do dia, em cada inicio e fim até que consiga definir um período do dia para olha-las.

3. Deixe o seu celular carregando em outra área de sua casa. Levante, faça sua higiene pessoal, tome seu café e só depois vá olhar seu celular.

4. Se não conseguir e sentir que está olhando o seu celular em demasia, procure ajuda especializada.


Pergunte-se: Consigo ficar sem meu celular por quanto tempo sem me sentir incomodado?

Me incomoda sair sem meu celular? Por que?

Faça um teste, saia sem seu celular e depois escreva como se sentiu. Leia e reflita.


Boa reflexão