
A mudança de paradigma na comunicação
O modelo Ver-Falar-Comportar-se utilizado por Stephen M. R. Covey em seu livro A Velocidade da Confiança, discute comportamentos e a comunicação relacionados à liderança.
Ao explicar o modelo, o escritor define cada etapa da seguinte maneira:
Ver ? Mudança de Paradigma / Falar ? Mudança de Linguagem / Comportar-se ? Mudança de comportamento
Essas dimensões possuem correlação. Sempre que uma delas é impactada as outras sofrem influência em algum grau. A confiança é estabelecida quando os comportamentos e linguagem estão alinhados.
O impacto de uma mudança na linguagem pode trazer uma nova visão a respeito de como enxergamos os outros e o mundo a nossa volta.
Conta certa história que um pregador entusiasmado falava em praça pública a um grande número de ouvintes. Como muitas vezes acontece, um escarnecedor interrompeu-o dizendo:
? Pregador, o seu Deus pode fazer tanta coisa como você está dizendo, mas não pode mudar a roupa desse mendigo que está ao seu lado.
O pregador, sem se perturbar, respondeu:
? Realmente, nisso o senhor tem razão. Deus não vai mudar a roupa desse mendigo ao meu lado, mas Deus pode mudar o mendigo que está dentro dessa roupa.
Mudar não é fácil, às vezes, nem mesmo temos consciência da necessidade da mudança. Uma maneira de fazer isso é perguntar às pessoas que se importam conosco sobre que sinais estamos emitindo no processo da comunicação ou, ainda, avaliar os resultados que temos colhido.
Temos a tendência de usar estratégias que deram certo. Isso começa na mais tenra idade, alguns utilizam o choro, a birra, a teimosia, a insistência, os gritos ou o silêncio. Ao fazer isso ao longo de muitos anos, não percebemos nossos comportamentos e os repetimos constantemente.
A primeira coisa a fazer é estarmos atentos ao nosso comportamento e nos mostrarmos dispostos a mudar. No livro Conversas Cruciais, os autores sugerem que estejamos atentos às estratégias que usamos. As pessoas tendem a não se sentirem seguras, quando não há fluxo livre de informações.
Isso acontece quando tentamos impor nossas ideias. Geralmente, as reações estão dentro de uma das estratégias citadas. Olhe para o resultado de suas experiências recentes de comunicação em bate papos informais ou em reuniões formais. Será que há um padrão? A insegurança na conversa tende a nos deixar totalmente cegos a solução. O caminho é reprogramar o cérebro. Fazemos isso ao nos colocarmos em posição de questionadores diante de nossa percepção sobre nossos motivos verdadeiros.
O que pode ser feito, então? Segundo os escritores Joseph Grenny, Ron Mcmillan, do livro Conversas Cruciais, alguns possíveis caminhos são:
? Aprenda a ver o conteúdo e as condições;
? Procure o momento em que a situação se torne decisiva;
? Aprenda a observar problemas de segurança;
? Olhe para observar se os outros estão buscando estratégias de silêncio ou agressividade;
? Procure explosões do seu estilo sob estresse.
Comunicar-se eficazmente é uma questão importante no meio profissional, precisamos identificar quais são as motivações, desejos e necessidades dos envolvidos e de que maneira nos comportaremos e passaremos a mensagem. A comunicação pode ser feita de mais de uma maneira, por meio de gestos, imagens, linguagem oral e escrita e pela mídia, em suas diferentes formas. Nos comunicamos, basicamente, a maior parte do tempo de forma escrita e oral, quando desejamos rapidez, a forma oral sempre será mais eficaz, a escrita formaliza a informação. Seu objetivo na comunicação poderá determinar a melhor maneira, tenha sempre em mente qual o conteúdo será abordado.
Algumas vezes, criamos barreiras imaginárias e agimos como se fossem verdades absolutas, é preciso superá-las. Precisamos esclarecer nossos objetivos, sermos diretos e, algumas vezes, sermos breves em nossas colocações, certificando-nos de que a mensagem está sendo entendida.
Que comportamentos poderão nos ajudar no processo da comunicação eficaz?
Vejamos alguns deles:
? Evite interromper a pessoa que estiver falando;
? Mostre sincero interesse pelo outro e pelo assunto;
? Evite emitir juízo, antes de compreender claramente;
? Acredite no que está sendo compartilhado, até que lhe seja provado o contrário;
? Procure manter-se atento a maior parte do tempo possível;
? Pergunte apenas para se certificar e esclarecer o que estiver ouvindo.
O processo de comunicação eficaz pode parecer trabalhoso, mas pense:
O que posso ganhar se conseguir me fazer entender?
Como posso mostrar interesse verdadeiro no outro?
Como posso melhorar minhas habilidades de comunicação?
O que eu não tenho feito, e se fizesse mudaria os meus resultados?

O Poder da Comunicação
Quando um líder conquista a confiança de seus liderados, o que ele pede soa como uma ordem, o que ele diz soa como regra.
João Palmeira

Durante os últimos 20 anos, eu tenho discutido em diferentes classes e com diferentes pessoas o poder da palavra. Algumas pessoas acreditam piamente, no poder da palavra, portanto, cuidam de falar sempre algo bom, mesmo quando a situação não é boa.
Michael Abrashoff, no livro ?Este Barco Também é Seu?, conta que em 1996, quando havia riscos de a China lançar mísseis sobre Taiwan, dois grupos de batalha de porta-aviões foram enviados à região. Naquele momento, o secretário William Perry, foi questionado sobre a ação e respondeu: ?Temos a melhor Marinha de guerra do mundo?.
Abrashoff, refletindo sobre essas palavras, decidiu que o barco que comandava o USS Benfold, se tornaria o melhor da frota. Passou a orientar aos seus comandados, que dali em diante recebessem os visitantes a bordo, sorrindo e lhes dissessem:
? Bem-vindo ao melhor navio de guerra da Marinha!
Quando ficavam ao lado de outro navio, ligavam o sistema de alto-falantes e transmitiam uma saudação do melhor navio de guerra da Marinha. Ele via esta saudação como algo sentimental, mesmo que não fosse naquele momento o melhor, certamente estava caminhando nessa direção. Tinham também um ditado no navio:
?O sol sempre brilha no Benfold?. As pessoas começaram a acreditar nisso.
Ao receber o comando do navio, o USS Benfold era considerado o pior navio da frota em prontidão para combate. A rotatividade era alta, o ambiente ruim e o ciclo de preparo para guerra, era demorado.
Em 18 meses de comando, o USS, Benfold saiu da condição de patinho feio, para ser reconhecido como o melhor navio da frota, sendo agraciado com o Troféu Spokane.
A liderança exige uma comunicação sem ruídos. Devemos comunicar com clareza nossa intenção e nossos objetivos, de forma que qualquer um em nossa equipe possa ser interpelado e esteja pronto para responder com prontidão e clareza para onde estamos indo, o que é esperado dele e quais são as metas e objetivos da organização. O processo de comunicação é uma habilidade, podemos desenvolvê-la com a prática. O escritor e amigo, Reinaldo Passadori em seu livro: Comunicação Essencial sugere algumas premissas fundamentais relacionadas à comunicação verbal, são elas:
· Não somos valorizados pelo que sabemos, mas pelo que fazemos com o que sabemos;
· Ninguém nasceu sabendo falar, muito menos fazendo discursos maravilhosos ou palestras e aulas extraordinárias. Isso se aprende;
· Destaca-se em um grupo não necessariamente quem sabe mais, mas aquele que se comunica melhor;
· Nosso sistema educacional não privilegia o desenvolvimento da habilidade da comunicação verbal nem simples leituras teatralizadas, muito menos técnicas mais sofisticadas, tais como exercícios de empatia, retórica ou eloquência;
· Todas as pessoas podem aprender técnicas e desenvolver habilidades de comunicação verbal sem, necessariamente, ter um dom especial para isso;
· A efetiva comunicação pressupõe um ato de consideração para com o outro;
· Do mesmo modo que filtramos e interpretamos tudo o que nos chega por meio dos sentidos, também as outras pessoas fazem isso. A consciência desse mecanismo aumenta a responsabilidade de quem deseja, de fato, comunicar-se;
· No mundo dos negócios e das organizações, procuram-se profissionais cada vez mais completos e capazes. Uma das principais competências exigidas é a de se comunicar bem com outras pessoas;
· Dois aspectos são fundamentais no processo de comunicação: o primeiro é o que falar e o segundo é como falar. De nada adianta possuir um rico conteúdo, mas expressá-lo de forma inadequada. O contrário também é verdadeiro.
Na última década, tenho discutido com alunos, participantes de cursos e amigos os desafios da comunicação. Não é dada a devida importância a essa habilidade, mas, ao mesmo tempo, as interações exigem cada vez maior expertise neste processo.
As escolas nos ensinam a ler e a escrever, no entanto, deveriam nos ensinar a falar e a escutar com o mesmo empenho.
A comunicação no seu ambiente de trabalho tem sido clara e assertiva?
Você se certifica de que as pessoas entenderam quando você procura transmitir uma mensagem?
De que maneira você acredita que é visto por seus liderados?
Você é um líder, ou está sendo apenas outro chefe?
Você acredita no que diz? Você vive o que prega?
Boa reflexão!