Lideraça, Comunicação, tecnologia, desenvolvimento pessoal, João Palmeira,

A sustentabilidade tornou-se um pilar essencial para o futuro das organizações, e as cooperativas, com sua essência colaborativa e foco comunitário, estão na vanguarda dessa transformação.
Sustentabilidade, em seu cerne, é a capacidade de atender às necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras, equilibrando os pilares econômico, social e ambiental. Para cooperativas, isso significa adotar práticas que promovam viabilidade financeira, inclusão social e preservação ambiental, alinhando-se aos princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança). Este artigo explora como as cooperativas brasileiras aplicam esses conceitos, utilizando dados científicos, exemplos regionais e estatísticas, e propõe sete perguntas reflexivas para engajar cooperados na jornada sustentável.
Os Três Pilares da Sustentabilidade nas Cooperativas
Os três pilares da sustentabilidade ? econômico, social e ambiental ? são a base para práticas cooperativistas que geram impacto duradouro. O pilar econômico garante a viabilidade financeira, permitindo que cooperativas invistam em inovação e reduzam custos. Por exemplo, a Integrada Cooperativa Agroindustrial (Londrina, PR) instalou 26 usinas solares em 2022, reduzindo custos energéticos em até 15% e faturando R$ 8,32 bilhões, beneficiando 12 mil cooperados em 51 municípios. Estudos da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que cooperativas sustentáveis têm 20% mais chances de acessar financiamentos, reforçando a relevância econômica.
O pilar social foca na inclusão, equidade e bem-estar. A Cooperquivale (Vale do Ribeira, SP), uma cooperativa quilombola, exemplifica isso ao distribuir 330 toneladas de alimentos orgânicos para 42 mil pessoas durante a pandemia, promovendo segurança alimentar e fortalecendo comunidades tradicionais. Segundo a Gallup, organizações com práticas sociais robustas, como cooperativas, aumentam o engajamento de seus membros em 16%, criando um senso de pertencimento e propósito.
O pilar ambiental prioriza a preservação de recursos naturais. A Coplacana (Piracicaba, SP), pioneira na logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas desde 1996, reduziu o impacto ambiental e gerou renda extra com a venda de recicláveis. Um estudo da Embrapa aponta que práticas como logística reversa podem diminuir em 30% o descarte inadequado de resíduos agrícolas, protegendo solo e água.
ESG: Um Guia para Cooperativas Sustentáveis.
O conceito de ESG (Ambiental, Social e Governança) oferece um framework para avaliar e implementar práticas sustentáveis. No contexto cooperativista, o Ambiental envolve reduzir emissões, gerenciar resíduos e preservar biodiversidade. A Cooxupé (Guaxupé, MG), maior cooperativa de café do Brasil, doa resíduos de café para cooperativas de reciclagem e implementa logística reversa, alinhando-se a certificações internacionais que atraem mercados globais. Dados da McKinsey indicam que empresas com práticas ESG atraem 25% mais investimentos, um benefício que cooperativas como a Cooxupé aproveitam.
O Social no ESG foca na equidade e no impacto comunitário. Cooperativas como a Cooperquivale promovem inclusão ao valorizar saberes tradicionais e garantir renda para grupos marginalizados. Já a Governança exige transparência e decisões democráticas, características inerentes ao modelo cooperativista. A Coplacana, por exemplo, mantém assembleias regulares para decidir sobre investimentos em sustentabilidade, garantindo participação de seus 10.400 cooperados. Um relatório do Pacto Global da ONU destaca que organizações com boa governança têm 18% menos riscos de crises reputacionais.
Benefícios da Sustentabilidade para Cooperativas
Adotar práticas sustentáveis traz benefícios tangíveis. Economicamente, a redução de custos é significativa. A Integrada, com suas usinas solares, economizou milhões em energia, reinvestindo em tecnologia e capacitação. Um estudo da Nielsen mostra que marcas sustentáveis, incluindo cooperativas, atraem 70% mais consumidores, fortalecendo a competitividade.
Socialmente, a sustentabilidade aumenta a satisfação dos cooperados e da comunidade. A Cooperquivale, ao doar alimentos, não apenas combateu a fome, mas também elevou a autoestima de seus membros, que se viram como agentes de mudança. A imagem da cooperativa também se beneficia: a Cooxupé, com seus cafés certificados, conquistou mercados na Europa e Ásia, exportando para 51 países e faturando R$ 5,03 bilhões.
Ambientalmente, práticas como reciclagem e uso de energias renováveis preservam recursos. A Coplacana, ao implementar logística reversa, evitou a contaminação de solos e aquíferos, enquanto a Integrada reduziu emissões com energia solar. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), práticas agrícolas sustentáveis podem reduzir em 25% as emissões de gases de efeito estufa em cooperativas agropecuárias.
Gestão de Recursos, Energia e Resíduos
A gestão de recursos naturais é crucial. Para água, cooperativas agrícolas como a Integrada adotam irrigação por gotejamento, economizando até 40% do consumo, segundo a Embrapa. No solo, técnicas como compostagem, usadas pela Cooperquivale, aumentam a fertilidade sem químicos. A biodiversidade é protegida por iniciativas como as da Cooxupé, que preserva áreas verdes em suas propriedades.
A energia sustentável é um diferencial. Além das usinas solares da Integrada, cooperativas rurais exploram biodigestores, convertendo resíduos orgânicos em energia. Um estudo da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) indica que fontes renováveis podem reduzir custos energéticos em 20% para cooperativas.
Resíduos e reciclagem são áreas de grande impacto. A Coplacana e a Cooxupé lideram na logística reversa, enquanto cooperativas de reciclagem, como as filiadas à Associação Nacional dos Catadores (Ancat), transformam resíduos em renda. Práticas de redução (ex.: minimizar embalagens), reutilização (ex.: artesanato com sobras) e reciclagem (ex.: venda de materiais) são viáveis e escaláveis.
Práticas Sustentáveis no Cotidiano das Cooperativas.
Implementar sustentabilidade no dia a dia é acessível. Na operação, cooperativas podem adotar lâmpadas LED, reduzir plásticos descartáveis e coletar água da chuva. A Cooperquivale, por exemplo, usa cisternas para irrigar hortas orgânicas. Na gestão, criar comitês de sustentabilidade, como faz a Coplacana, engaja cooperados em decisões verdes. Na comunidade, feiras sustentáveis e mutirões de limpeza, inspirados pela Cooperquivale, fortalecem laços locais.
Estratégias práticas incluem começar com metas pequenas (ex.: reduzir 10% do consumo de energia em um mês), envolver todos em assembleias e buscar parcerias com ONGs ou prefeituras. A Cooxupé, por exemplo, colabora com empresas de reciclagem para financiar projetos. Apps como ?JouleBug? podem ajudar cooperados a rastrear hábitos sustentáveis, enquanto treinamentos, como os oferecidos pela Integrada, capacitam para práticas verdes.
Reflita por um momento:
Como sua cooperativa já incorpora sustentabilidade em suas operações diárias?
Qual dos três pilares (econômico, social, ambiental) é mais forte na sua cooperativa, e onde há espaço para melhorias?
Que prática sustentável, como as de Coplacana ou Integrada, poderia ser adaptada à realidade da sua cooperativa?
Como você pode engajar outros cooperados para adotar ações sustentáveis, como reciclagem ou economia de água?
Quais barreiras sua cooperativa enfrenta para implementar práticas sustentáveis, e como superá-las?
Que impacto uma ação sustentável, como energia solar ou logística reversa, poderia ter na comunidade local?
As cooperativas brasileiras, como Coplacana, Integrada, Cooxupé e Cooperquivale, demonstram que sustentabilidade é não apenas viável, mas transformadora. Ao equilibrar os pilares econômico, social e ambiental e adotar princípios de ESG, elas geram renda, fortalecem comunidades e protegem o meio ambiente. Dados científicos reforçam que práticas sustentáveis reduzem custos, atraem investimentos e aumentam o engajamento. Para cooperativas, a sustentabilidade é mais do que uma tendência: é uma extensão de sua essência colaborativa, capaz de moldar um futuro mais justo e verde.
Boa reflexão!